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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

 

O ÓCIO E EU

                Eu me casei muito nova (17 anos), e fui mãe aos 18. Semana que vem eu completo 52 e minhas filhas estão “criadas”, soltas aí nessa vida, mas podem voltar para meu colo quando e sempre quiserem (e às vezes querem).

                Uma mora em Portugal, tem 33 anos, é casada, faz mestrado e tal. Ainda não me deu um neto, e a outra mora aqui em São Paulo, também faz mestrado, tem um namorado e também não me deu um neto. Mentira: a mais velha deu duas netas, as cadelas Manu e Panqueca e a mais nova me deu uma neta gata, de nome Guatarri.

                Estou no segundo casamento, e meu novo marido é um “fofinho”. Moramos eu, ele e a filha dele, de 19 anos.

                Quando eu chego em casa do meu trabalho das 8 às 14h, geralmente está tudo arrumado no apartamento, comida pronta e tal. Ele trabalha à noite, e consequentemente dorme durante o dia. Leva-me e busca-me no trabalho.

                E aí é onde entra o ócio: fico sem saber muito o que fazer nas tardes, e aí criei uma estratégia de deitar ao lado do meu marido, ficar quietinha e cochilar. Quando não conseguia cochilar, tomava Rivotril pra isso. Fuga! Sim! Mas não contava para ninguém. Ao invés de procurar algo producente para fazer eu ia dormir. E assim estava passando a minha vida. Até que me deu uma crise de pânico, pois eu tomava Rivotril e não conseguia dormir, que era a coisa mais maravilhosa que eu achava na vida.

                Quando foi um dia eu resolvi refletir sobre o que estava fazendo com minha vida, e contei para minha psicóloga sobre tomar remédios para dormir ( clonazepan- rivotril), para o qual desenvolvi uma tolerância ( quanto mais tomava, mais queria, e não dormia).

Aí comecei a meio que “enlouquecer” porque minha vida só tinha sentido se eu vivesse dormindo. E isso é vida?! Trabalhar 6 horas para mim, não estava sendo o suficiente, eu precisava de algo para fazer.

Aí lembrei que tinha aqui meu blog, considerado ultrapassado para os jovens, mas vai por aqui mesmo! Hihihi

Vou reativar meu diário, e nele escreverei o que considero que vai contemplar alguns companheiros e companheiras.

Tenho 15.000 seguidores e vou tentar monetizar essa prática, se bem, que só o fato de escrever já me deixa feliz.

Eu criei esse blog quando fiz cirurgia bariátrica, e deixei de escrever há algum tempo, mas é uma forma de extrapolar minhas vivências, meus anseios, minhas perspectivas de vida, enfim.

Em 07 de janeiro de 2024 eu perdi minha mãe por um infarto. Foi a pior perda até então após a do meu irmão em 15 de maio de 2021. Ele tinha 39 anos e foi vítima de Covid. Digo isso porque tem a ver com o ócio, pois quando eles estavam vivos eu conversava mais, nos comunicávamos mais. Tem meu pai e meu outro irmão, mas são muito ocupados.

O blog ajuda porque seus amigos nem sempre estão a fim de ouvir o que você quer dizer: eles também têm seus problemas.

Bom mesmo é ter uma terapeuta como eu tenho que me ensinou várias coisinhas para eu sair dessa do ócio e do sedentarismo. Olha só! Ela me mandou uma listinha de coisinhas para fazer (obviamente é Terapia Cognitivo Comportamental...rs). É assim: criar caixa do pronto socorro- criar cartões de enfrentamento para colocar dentro da caixa (acho que vou achar é uma sacola chique). Esses cartões devem conter frases para eu acessar todos os dias, como por exemplo:

PENSAMENTOS NÃO SÃO FATOS;

OS PROBLEMAS DOS OUTROS SÃO DOS OUTROS;

EU ME VALIDO;

EU SOU CAPAZ;

POSSO NÃO SER A MELHOR, MAS FAÇO O MEU MELHOR;

DEVO ME CONECTAR COM O QUE REALMENTE IMPORTA, MEUS VALORES DE VIDA;

PRECISO DAR ADEUS AOS PENSAMENTOS INTRUSIVOS;

ESTÁ TUDO BEM;

COMO UM MOTORISTA DE ÔNIBUS, DEVO IR DEIXANDO CADA PASSAGEIRO EM SUA PARADA E CONTINUO MEU ITINERÁRIO;

SOBRE LUTO:

EU VIVO MEU LUTO COMO CONSIGO;

A FALTA DA MINHA MÃE, ME FAZ ENTENDER O QUANTO ELA É IMPORTANTE PARA MIM, MAS NÃO DEVE ME PARALISAR, QUERO ENCONTRÁ-LA!

MEU TRABALHO TEM DESAFIOS COMO QUALQUER OUTRO, E EU SOU RESPONSÁVEL APENAS PELO QUE ESTÁ DENTRO DOS MEUS LIMITES.

                Além dessa estratégia das frases minha terapeuta solicitou que realizasse a higiene do sono. Sabe?! Devia[MR1]  existir uma bolsa-terapia mundialmente, até mais que uma bolsa-manicure! Juro! Essas danadas nos ajudam a chegar às verdades que estão ali bem na nossa “cara”. O que é incrível é que ninguém na família é capaz de tal façanha, mas terapeutas são. rs

                Sobre o luto e minha mãezinha passarei a escrever aqui também, pois creio que será uma forma de me conectar maiormente com ela, trazendo para meus leitores, as riquezas do que eu for lendo, como é o caso, que até indico, de O Manual do Luto, de Carpinejar.

                Hoje fico por aqui.

                Beijos de luz!


 [MR1]

2 comentários:

Beatriz Brito disse...

Mara que incrível seu relato! Tenho certeza que dará frutos e ajudará outras pessoas a seguirem suas jornadas de maneira significativa !

Beatriz Brito disse...

Parabéns!!