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sexta-feira, 30 de agosto de 2019



São Paulo, 30 de agosto de 2019
Filhos e filhas
São eles e elas que nos ensinam a viver com toda a intensidade, a se arriscar a fazer coisas nunca antes sequer imaginadas: trocar fraldas, descobrir a melhor pomada pra assaduras, fazer o chá certo, dar massagens, perder noites de sono, ir correndo ao médico, tirar leite do peito ou fazê-lo certinho até que esteja no ponto exato de aquecimento, e muito, muito mais.
Com esses seres iluminados aprendemos que os dentinhos caem e que a fada do dente os substitui por outros quando os jogamos no telhado. Fingimos acreditar em coelhinho da Páscoa e em Papai Noel e que existem princesas em castelos encantados. Aprendemos a assistir seus desenhos favoritos tantas vezes quantas desejarem rever. Aprendemos as musiquinhas e desfrutamos da alegria do dia que começam a ler e a escrever.
É ruim deixa-los chorando no primeiro dia de aula, mas entre isso e o dia da formatura de nível superior é um pulo, e se não cuidarmos direito nem aproveitamos os melhores momentos que nos proporcionam. Pode parecer exagero, mas de crianças rapidamente se tornam adultos e passamos então a dizer, meu Deus, por que cresceram tão rápido?!
São essas “pecinhas” que moram dentro de nós e depois nascem chorosas pedindo abrigo nesse mundo tão diferente do mundo que era lá na barriga. Ali estavam protegidos de uma forma, agora precisavam de outro tipo de proteção.
E aí a gente pensa que vão precisar desse suporte para sempre, e quando menos esperamos estão crescidos e decididos a alçar grandes e altos voos. Acho que é nesse tempo que ocorre a tal síndrome do ninho vazio... Agora eles parecem nem precisar mais de nós, e ai quando nos damos conta estão exercendo algumas vezes o lugar de nossos conselheiros, ironia do destino, não sei!...
Agradeço a cada instante pela maternidade, pois com ela pude aprender melhor o significado desse amor tão puro e incondicional. Obviamente nessa jornada errei muitas vezes, talvez até querendo acertar, mas acho que está valendo.
Pois é, de repente você se vê perante um ser maravilhoso, que já foi semente que brotou em você e agora dá frutos. Quando digo frutos não falo apenas de netos ou netas. Falo de frutos de amor, de carinho, de cuidado, de compreensão, de empatia, de solidariedade, de respeito, de dúvidas, de curiosidades e de medos e anseios, de dons espirituais, de bondade e sinceridade.
Creio que os filhos e as filhas nos dão um chacoalhão a alguma altura do campeonato para que possamos ver o mundo de diversos ângulos. Pois é, eles nos ensinam que não são uma extensão nossa, e que os padrões criados pela sociedade não são sempre o que escolhem. Criam seus próprios padrões e nos desnudam dos preconceitos velados que costumamos carregar.
Quando os filhos crescem e são independentes dá uma saudade do tempo que éramos mais “úteis”, mas também dá orgulho, pois acabam por ter muitas de nossas influências e acabam por realizar alguns de nossos sonhos.
Enfim, falar de filhos e filhas é tão amplo que vou ficando por aqui, com uma certeza absoluta: do meu jeitinho, mas eu amo minhas filhas do tamanho do infinito... Bye

Maracy Rolim