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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A difícil tarefa de se relacionar com o outro

*** Apenas para lembrar: não me sinto dona de verdade alguma, e o que ora registro é apenas o meu pensamento neste dia, que pode perfeitamente ser modificado ou questionado por mim mesma ou por quem quer que seja a qualquer momento. Afinal, a vida nos ensina a cada instante, o outro tem sempre o que nos ensinar e só temos a crescer quando nos dispomos e admitimos que somos passíveis ao erro em nossos pensamentos.

Depois do dia que descobri que não devemos nos petrificar ou achar que apenas nossas idéias são racionais, úteis e aplicáveis, sofri menos. E sofri menos também quando aprendi a não tirar conclusões precipitadas ou baseadas em opiniões alheias.

Outra coisa que aprendi foi a me permitir errar, sentir-se desanimada, com preguiça, de saco cheio, sem querer muito papo, e por que não reconhecer até que fui acometida pela inveja, ainda que meu coração não desejasse senti-la. Sim, sou humana, não consigo e nem quero mais ser perfeita!

Pois é! É por isso que quero neste dia quero deixar manifestado  que considero o relacionar-se algo muito complicado e desafiador, pois se julgo o outro apenas pelo meu ponto de vista corro um sério risco de me equivocar quanto aos seus verdadeiros sentimentos e intenções. E isso dá cada confusão!!!

A tendência é fazermos suposições do que o outro intencionava quando falou ou fez algo ao nosso respeito. E é aí onde mora o perigo, a tal da má interpretação... A linguagem escrita, por exemplo, abre alguns precedentes para distorções, e é exatamente por isso que sempre considero melhor comunicar-se sobre assuntos complicados no tête-à tête ou  olho no olho. 

Nunca escreva quando estiver enraivecido, a raiva nos cega, nos enlouquece e se a palavra falada já é capaz de deixar marcas,imagina o estrago que um discurso escrito   num momento de raiva poderá ocasionar.

Algumas pessoas por razões que desconheço tornam-se persecutórias, e ao menor sinal de que possam estar sendo "traídas" ou criticadas, reagem abruptamente, colocando-se no lugar de  vítima e passa a defender-se sem nem mesmo haver motivo.

Cada um tem sua forma de se defender, e infelizmente alguns reagem estando sempre em estado de alerta, o que pode ocasionar situações fantasiosas, desnecessárias e que podem deixar marcas profundas e que são perfeitamente evitáveis se houver ponderação, calma, organização de pensamento e reconhecimento da falibilidade humana a qual estamos todos sujeitos.

Obviamente não devemos também ser ingênuos, mas provavelmente a maioria das pessoas que estejam persecutórias estejam adoecidas. No entanto, reconhecer-se adoecido nem sempre é tarefa fácil, até para os que se acham muito espertos. É claro que não podemos confiar em todo mundo, mas daí até achar que o mundo inteiro está conspirando contra nós, há uma grandiosa diferença.

Conheço muitos que correm léguas de uma terapia, outros que se isolam, e ainda há os que sentindo-se facilmente ofendidos partem para o ataque sem medir as consequências de seus atos ou palavras. 

Que tal imaginarmos como nos sentiríamos ao ouvir o que falamos para o outro? Será que precisamos ser tão sinceros assim? E se o outro não estiver preparado naquele momento para ouvir o que você julga ser "para o bem". 

Algumas verdades doem demais, e dizer que fala na cara não é algo admirável e que contribui com uma boa relação. Isso também não te torna mais justo ou melhor que ninguém. Aguarde o momento certo, e procure lapidar suas palavras. Não precisa dizer  ao outro que ele foi mal educado, diga-lhe que sentiu-se ofendido e isto será o suficiente.

Acho que está mais do que na hora de baixarmos a guarda, e de achar que somos espertos o suficiente para não ser passado para trás...E está na hora também de agirmos como pessoas sensatas, que usam o bom senso e que se importam de sair por ai emitindo opiniões que não foram solicitadas e que talvez apenas você compartilhe.

Tem gente que diz que prefere não magoar os outros, pois não suporta pedir perdão... hum... que pena, pois às vezes erramos tentando acertar e ofendemos quando na verdade só desejávamos ajudar. Humilde mesmo é quem pede perdão, é quem é capaz de dizer: perdoe-me eu estava nervoso, me excedi, falei sem pensar etc e tal.

Bem, não terminei este texto, pretendo voltar amanhã.

Beijos de luz.


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Que tal cumprimentar ou tentar escutar, ainda que de vez em quando?!



***Antes de tudo, quero esclarecer que escrevo o que penso, o que não quer dizer que me sinta dona da verdade.


Boa noite!

Certifico-me cada dia mais que gentileza, cordialidade, respeito, serenidade e outros atributos, não estão diretamente ligados ao nível de escolaridade da pessoa ou ao fato desta ter adquirido  o status de alguma profissão admirada.

Nos corredores da vida encontramos todo  tipo de gente: os que andam apressados e os que caminham lentamente, os pensativos e os que facilmente se dispersam, os que conseguem lidar melhor com perdas e frustrações e os que precisam de mais tempo para "encarar" esta tal realidade, que na grande maioria das vezes chega sem avisar. 

Há os que cumprimentam com palavras, outros com  um sorriso ou o olhar de quem se importa de "se importar" com o outro, e reconhece estar na mesma condição humana de criação divina. No entanto, há os que friamente dispensam quaisquer cumprimentos e parecem fazer questão que nos sintamos invisíveis. Se sequer respondem a um bom dia, não seria esperar demais que o proferissem algum dia?!

E assim seguimos, e parece que está tudo tão estruturado, mas no cotidiano muitas vezes nos deparamos com tudo tão desumanizado... E aí se fala em transformar o mundo, quando não se é capaz sequer de responder a um bom dia!...

Não quero aqui me vitimizar e nem tecer comentários pejorativos em relação a quem quer que seja, mas educação está, infelizmente, cada dia mais em falta. Parece que poucos a possuem, ou então não a poe em prática. O que fazer, não é? Em algumas ocasiões a gente finge que o outro nem ouviu nosso cumprimento, pois talvez soframos menos essa indiferença toda. Onde será que está o problema?!

Engraçado é na época do natal e do ano novo: aqueles que passaram a maioria do tempo assoberbados em seu mundinho, dizem que vão confraternizar. Mas com quem mesmo?!  Talvez com as pessoas do mesmo nível social... E os que o nível não abarca as exigências que a sociedade  hipócrita e excludente estabelece como padrões???

Não desejo ser enaltecida, desejo apenas que alguém seja capaz pelo menos de procurar entender que uma palavra, um sorriso ou um olhar tem um poder estupendo. Podem  confortar um coração aquebrantado ou adoecido, e por que não dizer que podem até prevenir várias doenças?! Podem mudar uma vida, acreditem!

Obviamente nem todo mundo sai por ai distribuindo "simpatias". O que me impressiona mesmo, de verdade, é saber que pessoas que lidam tao "de perto" com a finitude da vida, se deixem petrificar desta forma e passem a agir como se fossem infalíveis...

Pois é, quase ninguém quer saber sobre as nossas dificuldades, e é até compreensível, pois todos tem obstáculos a enfrentar, mas falo aqui de algo que não exige tanto tempo, que não nos onera, de um simples cumprimento, senão todo dia,quem sabe uma vez ou outra?

Ah, eu ia esquecendo: tem também os que nos cumprimentam e vão logo especulando sobre nossa vida, nem se dão ao trabalho de perguntar se estamos bem ou se precisamos de algo. Será que estão realmente preocupados conosco?!

Eu não poderia deixar de citar os que até cumprimentam, mas é aquela "coisa" fria, vazia, sem sal, pois só conseguem falar de coisas e não de sentimentos... por vezes nos abordam nos corredores para contar suas vantagens, sem querer saber do que realmente necessitamos naquele exato momento. 

Sim, temos o direito de compartilhar sobre nossas experiencias, mas que tal procurar desenvolver a "escutatória"??? As vezes o outro só precisa saber que em algum momento alguém parou para escutar sua "voz".

Em discussão do assunto um dia desses,alguém me disse que certos profissionais que citei, que lidam de perto com a morte, se petrificam como uma forma de se blindar. Pode ser, mas ainda penso que a soberba e a vaidade distanciam muito as pessoas do que realmente importa na vida.

Enfim,deixo como sugestão para reflexão um texto do escritor Rubem Alves: 

ESCUTATÓRIA

 Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular. 

Escutar é complicado e sutil. Diz Alberto Caeiro que "não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma". 


Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia. 



Parafraseio o Alberto Caeiro: "Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito; é preciso também que haja silêncio dentro da alma". Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. 

Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. 

Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos... 

Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64. Contou-me de sua experiência com os índios. 

Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, abrindo vazios de silêncio, expulsando todas as idéias estranhas.). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. 

Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que ele julgava essenciais. São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se eu falar logo a seguir, são duas as possibilidades. 

Primeira: "Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado". 

Segunda: "Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou". 

Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: "Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou". E assim vai a reunião. 

Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. 

Eu comecei a ouvir. 

Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. 

A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.

No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. 

Para mim, Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. 

Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.



Grande escritor esse rapaz!

Beijos de luz.














domingo, 12 de novembro de 2017

Vamos juntos?!

Hoje, após tantos dias sem passar por aqui, retorno, e retorno na incansável busca do meu eu, complicada, porém valorosa busca...



Desde 2014 muitas coisas mudaram em minha vida, umas para melhor, outras nem tanto, mas tudo tem servido de experiencia e tenho a confessar, felizmente, que hoje não levo mais tudo a "ferro e fogo", sou muito menos pretensiosa e estou cada vez mais certa que nada é completamente certo ou errado.

Sobre a cirurgia bariátrica tenho a dizer que foi uma experiencia boa em minha vida. Cheguei a eliminar 47 quilos, mas percebo que não havia preparo emocional suficiente para manter minha tao almejada conquista.

Pois é! Recuperei muito peso, não tudo, mas o suficiente para me entristecer bastante! E continuei me vitimizando ao dizer que nem isso deu certo em minha vida. Deixei a terapia, passei por processos difíceis de ajustes de medicamentos, separei-me do marido, saí de casa, e engordei, lamentavelmente engordei novamente.

Digo lamentavelmente porque passei por todo o processo da cirurgia bariátrica, um procedimento invasivo, e nao gostaria de perder o que conquistei. Agora mais que nunca tenho que  me tornar responsável pelo meu corpo, e pelo meu "destino", mas sei que tenho dificuldades imensas de me privar de alguns prazeres que a comida me proporciona.

Considero importante analisar o motivo de ter recuperado tanto peso. Culpa dos outros? Dos problemas? Das mudanças? Nao!!! Esqueçamos a palavra culpa, chega!

Na verdade eu ainda sou acomodada demais com certas coisas, e inocentemente, ou nem tanto, sonhei que de uma forma ultra, mega, super mágica, o emagrecimento seria mantido apesar das crises compulsivas por comida que me assolaram nos anos posteriores a  cirurgia. 

Nos quatro primeiros anos não recuperei muito, mas no quinto e no sexto ano, meu Deus!!! Entrei em desespero, pois imaginei que começaria todo o sofrimento novamente.

Em  maio de 2015 conheci uma pessoa excelente, que veio para mudar completamente alguns dos meus enraizados e equivocados conceitos  sobre relacionamentos. Alguém que gosta das coisas simples da vida , que valoriza o que realmente deve ser valorizado, e que é passível de erros, como qualquer um, mas tem sido ancora na minha vida um tanto quanto, as vezes, dificultada por mim mesma.




Em 2016 fomos morar juntos, aí a minha filha caçula foi morar meio longe por causa da Faculdade, e a mais velha voltou da Irlanda num momento em que o nosso país havia entrado numa situação ainda mais critica. Felizmente ela e meu genro se inseriram novamente no mercado de trabalho.

Tive que me adaptar a outras vivencias: tive a oportunidade de me relacionar de forma diferente com um parceiro, passei pela síndrome do ninho vazio, o que acho que sofro até hoje, a depressão quis me derrubar, tive medo de perder o controle da minha vida, mas acreditei que existiam motivos suficientes para eu continuar lutando e   enfim, chegar aonde cheguei.



Hoje consigo perceber o quanto me vitimizei, o quanto fugi da realidade com calmantes para não ter que tomar decisoes, o quanto fui indisposta a mudanças. Quantas reclamações eu fiz! Como potencializei algumas situações e tornei minha vida, e talvez as dos meus familiares, muito mais complicada!




Mas cheguei aqui, ufa!!!

Nao afirmo em hipótese alguma que tenha alcançado a perfeição, até porque não acredito na existência dela, mas dentre as coisas que aprendi tem uma que é de grande valia: eu não sou uma coitadinha! Na verdade acredito que ninguém o é, e a vida é feita de escolhas sim, o difícil é assumir que muitas vezes escolhemos precipitadamente ou erroneamente.

Tenho muito o que escrever, mas hoje vou me ater a  contínua luta contra a obesidade. Depois de tantas voltas descobri que não adiantava continuar enganando a mim mesma. Que eu deveria assumir as rédeas da minha vida parar de culpar os outros pelas minhas perdas. Também não quero essa palavra culpa para mim, mas pelo menos sou consciente que apenas eu serei capaz de mudar a minha situação.

Olha só: eu reclamava que não emagrecia, mas não mudava meus hábitos alimentares, comia de uma só vez um pacote de bolachas recheadas .Nao podia passar em frente a uma lanchonete que comprava salgados para comer e para levar para casa.



Eu colocava no carrinho do supermercados tudo o que eu não deveria comer, mas eu achava que seria forte o suficiente e iria conseguir resistir. Certa vez chorei no supermercados quando alguém me sugeriu não comprar tudo aquilo. 

Quando eu tinha minhas filhas pequenas a "desculpa" era a de que eu não podia privá-las de algumas muitas guloseimas (pensamento equivocado), mas e agora? Agora era eu quem pegava os produtos pelos quais eu sabia que tinha verdadeira loucura. E é claro que eu comia, e voltei até a levantar no meio da noite para comer.

Meu marido até começou a me ajudar a "comer direito", mas nem isso eu valorizava. Comia os legumes e as proteínas que ele fazia com tanto carinho, mas comia também uma barra de chocolates em instantes. E ele "desistiu", porque na verdade nem eu mesma acreditava mais em mim...

Entrei num processo no qual eu me sentia a pessoa mais incapacitada e dependente de comida do mundo, pois afinal estava pondo tudo a perder...

Voltei para a terapia, e recomendo para todos; creio, sinceramente, que isso deveria ser obrigatório! 

Quantas sessões , quantas leituras, quantos videos assistidos, quantas promessas milagrosas, quantas frustraçoes, quantos questionamentos sobre mim, para que eu enfim conseguisse ter a brilhante idéia de comprar alimentos mais saudáveis e de fazer minhas marmitas e congelá-las. Parece simples, mas se for para chegar em casa e ainda ir descascar o alho, cortar os legumes e faze-los... hummmm. Eu sei que existe alho triturado, muitas praticidades hoje em dia, mas se eu chegava morrendo de fome, porque não carregava frutas na bolsa, e não tinha algo pronto, era boa desculpa para as escapadas.

Só para constar: ontem fui ao Shopping e me peguei comendo uma pera que havia levado de casa.

Hoje estamos agindo assim: não deixamos faltar frutas, legumes e verduras, não compramos mais doces e outras besteiras, eu não como mais pão, exceto aos domingos, e resisto quando passa em frente a alguma lanchonete.

Nao quero aqui trazer receitas, muito menos me colocar como "exemplo de vida", não é isso. Quero apenas compartilhar o quanto é dificil essa luta contra a obesidade.

Fico por aqui e espero voltar em breve, pois "reativei" esse  blog hoje e penso que além da obesidade poderemos compartilhar sobre os mais diversos assuntos.

Beijos de luz.