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domingo, 12 de novembro de 2017

Vamos juntos?!

Hoje, após tantos dias sem passar por aqui, retorno, e retorno na incansável busca do meu eu, complicada, porém valorosa busca...



Desde 2014 muitas coisas mudaram em minha vida, umas para melhor, outras nem tanto, mas tudo tem servido de experiencia e tenho a confessar, felizmente, que hoje não levo mais tudo a "ferro e fogo", sou muito menos pretensiosa e estou cada vez mais certa que nada é completamente certo ou errado.

Sobre a cirurgia bariátrica tenho a dizer que foi uma experiencia boa em minha vida. Cheguei a eliminar 47 quilos, mas percebo que não havia preparo emocional suficiente para manter minha tao almejada conquista.

Pois é! Recuperei muito peso, não tudo, mas o suficiente para me entristecer bastante! E continuei me vitimizando ao dizer que nem isso deu certo em minha vida. Deixei a terapia, passei por processos difíceis de ajustes de medicamentos, separei-me do marido, saí de casa, e engordei, lamentavelmente engordei novamente.

Digo lamentavelmente porque passei por todo o processo da cirurgia bariátrica, um procedimento invasivo, e nao gostaria de perder o que conquistei. Agora mais que nunca tenho que  me tornar responsável pelo meu corpo, e pelo meu "destino", mas sei que tenho dificuldades imensas de me privar de alguns prazeres que a comida me proporciona.

Considero importante analisar o motivo de ter recuperado tanto peso. Culpa dos outros? Dos problemas? Das mudanças? Nao!!! Esqueçamos a palavra culpa, chega!

Na verdade eu ainda sou acomodada demais com certas coisas, e inocentemente, ou nem tanto, sonhei que de uma forma ultra, mega, super mágica, o emagrecimento seria mantido apesar das crises compulsivas por comida que me assolaram nos anos posteriores a  cirurgia. 

Nos quatro primeiros anos não recuperei muito, mas no quinto e no sexto ano, meu Deus!!! Entrei em desespero, pois imaginei que começaria todo o sofrimento novamente.

Em  maio de 2015 conheci uma pessoa excelente, que veio para mudar completamente alguns dos meus enraizados e equivocados conceitos  sobre relacionamentos. Alguém que gosta das coisas simples da vida , que valoriza o que realmente deve ser valorizado, e que é passível de erros, como qualquer um, mas tem sido ancora na minha vida um tanto quanto, as vezes, dificultada por mim mesma.




Em 2016 fomos morar juntos, aí a minha filha caçula foi morar meio longe por causa da Faculdade, e a mais velha voltou da Irlanda num momento em que o nosso país havia entrado numa situação ainda mais critica. Felizmente ela e meu genro se inseriram novamente no mercado de trabalho.

Tive que me adaptar a outras vivencias: tive a oportunidade de me relacionar de forma diferente com um parceiro, passei pela síndrome do ninho vazio, o que acho que sofro até hoje, a depressão quis me derrubar, tive medo de perder o controle da minha vida, mas acreditei que existiam motivos suficientes para eu continuar lutando e   enfim, chegar aonde cheguei.



Hoje consigo perceber o quanto me vitimizei, o quanto fugi da realidade com calmantes para não ter que tomar decisoes, o quanto fui indisposta a mudanças. Quantas reclamações eu fiz! Como potencializei algumas situações e tornei minha vida, e talvez as dos meus familiares, muito mais complicada!




Mas cheguei aqui, ufa!!!

Nao afirmo em hipótese alguma que tenha alcançado a perfeição, até porque não acredito na existência dela, mas dentre as coisas que aprendi tem uma que é de grande valia: eu não sou uma coitadinha! Na verdade acredito que ninguém o é, e a vida é feita de escolhas sim, o difícil é assumir que muitas vezes escolhemos precipitadamente ou erroneamente.

Tenho muito o que escrever, mas hoje vou me ater a  contínua luta contra a obesidade. Depois de tantas voltas descobri que não adiantava continuar enganando a mim mesma. Que eu deveria assumir as rédeas da minha vida parar de culpar os outros pelas minhas perdas. Também não quero essa palavra culpa para mim, mas pelo menos sou consciente que apenas eu serei capaz de mudar a minha situação.

Olha só: eu reclamava que não emagrecia, mas não mudava meus hábitos alimentares, comia de uma só vez um pacote de bolachas recheadas .Nao podia passar em frente a uma lanchonete que comprava salgados para comer e para levar para casa.



Eu colocava no carrinho do supermercados tudo o que eu não deveria comer, mas eu achava que seria forte o suficiente e iria conseguir resistir. Certa vez chorei no supermercados quando alguém me sugeriu não comprar tudo aquilo. 

Quando eu tinha minhas filhas pequenas a "desculpa" era a de que eu não podia privá-las de algumas muitas guloseimas (pensamento equivocado), mas e agora? Agora era eu quem pegava os produtos pelos quais eu sabia que tinha verdadeira loucura. E é claro que eu comia, e voltei até a levantar no meio da noite para comer.

Meu marido até começou a me ajudar a "comer direito", mas nem isso eu valorizava. Comia os legumes e as proteínas que ele fazia com tanto carinho, mas comia também uma barra de chocolates em instantes. E ele "desistiu", porque na verdade nem eu mesma acreditava mais em mim...

Entrei num processo no qual eu me sentia a pessoa mais incapacitada e dependente de comida do mundo, pois afinal estava pondo tudo a perder...

Voltei para a terapia, e recomendo para todos; creio, sinceramente, que isso deveria ser obrigatório! 

Quantas sessões , quantas leituras, quantos videos assistidos, quantas promessas milagrosas, quantas frustraçoes, quantos questionamentos sobre mim, para que eu enfim conseguisse ter a brilhante idéia de comprar alimentos mais saudáveis e de fazer minhas marmitas e congelá-las. Parece simples, mas se for para chegar em casa e ainda ir descascar o alho, cortar os legumes e faze-los... hummmm. Eu sei que existe alho triturado, muitas praticidades hoje em dia, mas se eu chegava morrendo de fome, porque não carregava frutas na bolsa, e não tinha algo pronto, era boa desculpa para as escapadas.

Só para constar: ontem fui ao Shopping e me peguei comendo uma pera que havia levado de casa.

Hoje estamos agindo assim: não deixamos faltar frutas, legumes e verduras, não compramos mais doces e outras besteiras, eu não como mais pão, exceto aos domingos, e resisto quando passa em frente a alguma lanchonete.

Nao quero aqui trazer receitas, muito menos me colocar como "exemplo de vida", não é isso. Quero apenas compartilhar o quanto é dificil essa luta contra a obesidade.

Fico por aqui e espero voltar em breve, pois "reativei" esse  blog hoje e penso que além da obesidade poderemos compartilhar sobre os mais diversos assuntos.

Beijos de luz.










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