Muito complicado se cansar para realizar atividades da vida diária, como tomar banho, se vestir, arrumar a cama, a casa, cozinhar, brincar com as filhas e os sobrinhos, percorrer pequenos percursos a pé, subir alguns lances de escada, dirigir, dentre tantas outras...
Mais complicado ainda imaginar que meu coração precisar trabalhar muito mais que o dobro para que eu realize tais atividades. "Pobre" e ao mesmo tempo tão "vitorioso" coração!
E a respiração, e o sono, tudo muito mais difícil...
Como a obesidade é uma doença que nos atinge silenciosamente e de uma forma, digamos, "agradável", pois todos dizem, ah como é bom comer, é péssimo quando descobrimos que aquilo que nos causava prazer passou a nos causar tantas doenças, tantas comorbidades, tantos desgostos, muito incontáveis desgostos...
E quando o sobrepeso adquirido é de alguns quilos o processo ainda é reversível, mas quando se trata de muitos quilos, como é o meu caso, o caminho parece uma ida sem volta.
Aí algumas pessoas me perguntam se não tenho medo de operar. E respondo que sempre há uma pontinha de medo quando se pensa numa cirurgia de grande porte como esta a que me submeterei, mas medo maior mesmo é o de continuar assim, com a PA super alterada, com as pernas doendo, com o coração ameaçado, com a auto-estima baixíssima, enfim....com tantas outras limitações que já citei noutras postagens e que repetir apenas me relembra o sofrimento...
Conversando um dia desses com uma amiga gastroplastizada ela me alertou quanto ao fato de, se aproximando a data da cirurgia, eu me deparar com algumas pessoas que procurariam me "desanimar". E foi dito e feito!!!
Eu estava na sala de espera do dentista, quando uma cunhada que amo muito resolveu me emocionar com uma linda telemensagem que me incentivava bastante e demonstrava todo o seu carinho pela minha pessoa. Detalhe: me fez chorar, mas conseguiu sim me animar. E tinha uma moça, também obesa, na sala de espera, que me viu chorar e ficou com cara de ponto de interrogação, mas eu tentando ser gentil, lhe expliquei do que se tratava, e ela foi logo dizendo um tanto de palavras sem fundamento, sem conhecimento de causa mesmo, dentre as quais as de que não adianta nada fazer essa cirurgia porque todos que a fazem retornam ao peso inicial... Como é que se diz uma coisa dessas?! Além de generalizar ela demonstrou uma certa frustração, pois no início da conversa se colocou como alguém que tinha vontade de se submeter a essa cirurgia, mas que ainda não havia encontrado coragem. Fico imaginando que precisamos nos vacinar contra essas pessoas que muito além de não terem conhecimento, não conseguem esconder seu desrespeito para com a atitude/escolha do outro, talvez até uma decisão/escolha que ela por algum motivo ainda não teve coragem ou oportunidade de tomar.
Mas faz parte do processo... risos
Quem sabe nossa cara colega não tenha que ler que como resultados se tem comprovadamente:
• Média de 77% da perda do excesso de peso um ano após a cirurgia;
• Os estudos mostram que após 10 a 14 anos, os pacientes mantiveram 60% da perda do excesso de peso;
• Estudo do ano 2000 mostrou que 96% de certas co-morbidades, tais como dor nas costas, apnéia do sono, aumento de pressão sanguínea, diabetes tipo II e de pressão diminuíram ou foram curadas;
• Em muitos casos, os pacientes relataram uma sensação precoce de saciedade combinada com uma sensação de satisfação, que reduz a vontade de comer.