O ÓCIO E EU
Eu me
casei muito nova (17 anos), e fui mãe aos 18. Semana que vem eu completo 52 e
minhas filhas estão “criadas”, soltas aí nessa vida, mas podem voltar para meu
colo quando e sempre quiserem (e às vezes querem).
Uma
mora em Portugal, tem 33 anos, é casada, faz mestrado e tal. Ainda não me deu
um neto, e a outra mora aqui em São Paulo, também faz mestrado, tem um namorado
e também não me deu um neto. Mentira: a mais velha deu duas netas, as cadelas
Manu e Panqueca e a mais nova me deu uma neta gata, de nome Guatarri.
Estou
no segundo casamento, e meu novo marido é um “fofinho”. Moramos eu, ele e a
filha dele, de 19 anos.
Quando
eu chego em casa do meu trabalho das 8 às 14h, geralmente está tudo arrumado no
apartamento, comida pronta e tal. Ele trabalha à noite, e consequentemente
dorme durante o dia. Leva-me e busca-me no trabalho.
E aí é
onde entra o ócio: fico sem saber muito o que fazer nas tardes, e aí criei uma
estratégia de deitar ao lado do meu marido, ficar quietinha e cochilar. Quando
não conseguia cochilar, tomava Rivotril pra isso. Fuga! Sim! Mas não contava
para ninguém. Ao invés de procurar algo producente para fazer eu ia dormir. E
assim estava passando a minha vida. Até que me deu uma crise de pânico, pois eu
tomava Rivotril e não conseguia dormir, que era a coisa mais maravilhosa que eu
achava na vida.
Quando
foi um dia eu resolvi refletir sobre o que estava fazendo com minha vida, e
contei para minha psicóloga sobre tomar remédios para dormir ( clonazepan- rivotril),
para o qual desenvolvi uma tolerância ( quanto mais tomava, mais queria, e não
dormia).
Aí comecei a meio que “enlouquecer” porque minha vida só
tinha sentido se eu vivesse dormindo. E isso é vida?! Trabalhar 6 horas para
mim, não estava sendo o suficiente, eu precisava de algo para fazer.
Aí lembrei que tinha aqui meu blog, considerado ultrapassado
para os jovens, mas vai por aqui mesmo! Hihihi
Vou reativar meu diário, e nele escreverei o que considero
que vai contemplar alguns companheiros e companheiras.
Tenho 15.000 seguidores e vou tentar monetizar essa prática,
se bem, que só o fato de escrever já me deixa feliz.
Eu criei esse blog quando fiz cirurgia bariátrica, e deixei
de escrever há algum tempo, mas é uma forma de extrapolar minhas vivências,
meus anseios, minhas perspectivas de vida, enfim.
Em 07 de janeiro de 2024 eu perdi minha mãe por um infarto.
Foi a pior perda até então após a do meu irmão em 15 de maio de 2021. Ele tinha
39 anos e foi vítima de Covid. Digo isso porque tem a ver com o ócio, pois quando
eles estavam vivos eu conversava mais, nos comunicávamos mais. Tem meu pai e
meu outro irmão, mas são muito ocupados.
O blog ajuda porque seus amigos nem sempre estão a fim de
ouvir o que você quer dizer: eles também têm seus problemas.
Bom mesmo é ter uma terapeuta como eu tenho que me ensinou
várias coisinhas para eu sair dessa do ócio e do sedentarismo. Olha só! Ela me
mandou uma listinha de coisinhas para fazer (obviamente é Terapia Cognitivo
Comportamental...rs). É assim: criar caixa do pronto socorro- criar cartões de
enfrentamento para colocar dentro da caixa (acho que vou achar é uma sacola
chique). Esses cartões devem conter frases para eu acessar todos os dias, como
por exemplo:
PENSAMENTOS NÃO SÃO FATOS;
OS PROBLEMAS DOS OUTROS SÃO DOS OUTROS;
EU ME VALIDO;
EU SOU CAPAZ;
POSSO NÃO SER A MELHOR, MAS FAÇO O MEU MELHOR;
DEVO ME CONECTAR COM O QUE REALMENTE IMPORTA, MEUS VALORES
DE VIDA;
PRECISO DAR ADEUS AOS PENSAMENTOS INTRUSIVOS;
ESTÁ TUDO BEM;
COMO UM MOTORISTA DE ÔNIBUS, DEVO IR DEIXANDO CADA
PASSAGEIRO EM SUA PARADA E CONTINUO MEU ITINERÁRIO;
SOBRE LUTO:
EU VIVO MEU LUTO COMO CONSIGO;
A FALTA DA MINHA MÃE, ME FAZ ENTENDER O QUANTO ELA É
IMPORTANTE PARA MIM, MAS NÃO DEVE ME PARALISAR, QUERO ENCONTRÁ-LA!
MEU TRABALHO TEM DESAFIOS COMO QUALQUER OUTRO, E EU SOU
RESPONSÁVEL APENAS PELO QUE ESTÁ DENTRO DOS MEUS LIMITES.
Além
dessa estratégia das frases minha terapeuta solicitou que realizasse a higiene
do sono. Sabe?! Devia[MR1]
existir uma bolsa-terapia mundialmente, até mais que uma bolsa-manicure! Juro!
Essas danadas nos ajudam a chegar às verdades que estão ali bem na nossa “cara”.
O que é incrível é que ninguém na família é capaz de tal façanha, mas terapeutas
são. rs
Sobre o
luto e minha mãezinha passarei a escrever aqui também, pois creio que será uma
forma de me conectar maiormente com ela, trazendo para meus leitores, as riquezas
do que eu for lendo, como é o caso, que até indico, de O Manual do Luto, de
Carpinejar.
Hoje
fico por aqui.
Beijos
de luz!
2 comentários:
Mara que incrível seu relato! Tenho certeza que dará frutos e ajudará outras pessoas a seguirem suas jornadas de maneira significativa !
Parabéns!!
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