O tal preconceito internalizado.
Um dia eu disse à psicóloga que eu tinha dificuldade de lidar com determinada pessoa, e
ela me disse que era porque eu me via nessa pessoa, mas sem muitas
explicações... E só depois de anos eu fui entender que a pessoa era obesa,
exatamente como eu.
Fui percebendo ao fazer algumas homenagens com fotos que eu quase não
aparecia , e quando aparecia era só o rosto, no máximo os ombros. Algumas fotos
eram recortadas, editadas, por que seria, não?!
Um dia, conversando com uma das minhas filhas, esta me trouxe o termo preconceito
internalizado, e foi bem na ferida que o remédio ardente caiu!
Passei a minha vida inteira ouvindo que gordo não se cuida, não se ama,
não se esforça, é preguiçoso e desleixado, e internalizei isso, só que tem um
agravante, como sou obesa eu passei a ser o meu próprio alvo destes sentimentos
equivocados e cruéis.
É vergonhoso admitir que somos preconceituosos, principalmente quando
este preconceito é contra si. Quero externalizar isso, e avançar no processo de
desconstrução dessas idéias ridículas que eu tinha sobre mim.
Minha filha me disse para eu me aceitar, e me aceitarei integralmente,sem lacunas, e
não tô nem ai para o que os outros irão dizer, pois quem é maldizente achará
sempre algo para falar, se não a gordura, o cabelo, a condição financeira ou
até o jeito de falar e sorrir. O que importa mesmo em cada um é a essência, são
as boas lembranças que deixou, são as pessoas as quais amamos e para as quais soubemos e tivemos a
oportunidade de expressar nosso amor, enfim, nossa história é bonita do jeito
que é, sem ponto final, com direito a vírgulas, reticências e alguns pontos de
interrogação.
Eu me amo como sou, e se tiver que mudar seja única e exclusivamente pela
minha saúde!...
Beijos de luz.
Maracy
SP12/07/2020
*** Obrigada minha filósofa Leticia Rolim, por me ajudar a desvendar meus medos e monstros internos e por me encorajar junto com a sua irmã e o Edu a ultrapassar mais esse tenebroso obstáculo.



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