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domingo, 14 de agosto de 2011

As limitações de um (a) obeso (a).



Para iniciar quero dizer que estou muito feliz com a repercussão deste blog e que o comentário de uma ex-obesa me fez sentir muito  bem, pois já pude comprovar que de alguma forma estou contribuindo ao compartilhar das minhas experiências para que  o assunto obesidade esteja presente não apenas na “boca” dos que criticam, mas também dos que compreendem os percalços pelos quais passamos.

Hoje me proponho escrever sobre as limitações, e eu nem sei dizer ou explicar qual é a pior limitação de quem se encontra obeso(a), mas sem a necessidade de estabelecer uma ordem vou tentar citar algumas pelas quais tenho passado e espero logo, logo superar, pois novidade: a carência do meu plano de saúde para realização de minha cirurgia bariátrica não se vence como pensei em 17/09, mas antes, em 06/09/2011.

Caso alguém queira, nos comentários, acrescentar alguma experiência parecida ou não com as que vou citar, fique à vontade!

Vamos lá!

Qual obeso nunca sentiu medo de cair daquelas "lindas" cadeiras de plástico que parecem estar em todos os lugares que vamos?! E não são só as de plástico… 

Ah meu Deus!!! Minha filha foi selecionada como uma das melhores da sala dela num concurso literário, e aí veio a cobrança: “Mãe, a senhora vai comigo na premiação não é?!”… E adivinha a angústia em pensar que eu teria que aparecer assim, obesa, para os colegas da minha filha, para os professores etc, mas fui… e quando cheguei lá, lá estavam as lindas cadeiras de plástico que dizem que suportam até 200 quilos, e mesmo eu não estando nem perto dos 200 fiquei o tempo todo apreensiva, sem falar que alguém muito “delicadamente” sempre pergunta se não queremos por uma cadeira em cima da outra… ufa! Dessa vez ninguém perguntou, mas ao invés de curtir todo o tempo a comemoração, fiquei ligada ao meu problema. Isso foi uma experiência porque se eu fosse contar todas… Mas o que teve de bom, muito bom nesse dia além de contemplar a alegria de minha filha  foi encontrar a coordenadora da escola, uma ex-obesa, gastroplastizada, muito linda, pessoa magnífica  que me deu várias dicas e que disse que vai torcer muito po mim.





Em janeiro fui visitar meus amores (minha família) na terra natal (Ceará) onde o sol brilha o ano inteiro, mas como não disponho de dinheiro para ir de primeira classe…risos… lá estávamos nós (eu, minha “irmã” e minhas filhas) nos confortáveis e “espaçosos” assentos do avião, quando eu de repente percebo que nem ali estava livre dos constrangimentos a que minha doença sempre me submetera, mas será que isso não poderia ter sido evitado pela empresa?! Será que apenas quem tem condições de pagar por duas cadeiras como ouvi falar que faz o Ed Motta, tem o direito de ir mais confortável?! Só mais confortável, porque duvido que não seja vítima de preconceito ao ocupar dois assentos. Enfim, tive que chamar  um comissário de bordo e solicitar um extensor de cinto de segurança, mesmo que tenha sido devido a poucos centímetros, mas precisei, e isso foi o suficiente para estragar meu dia, pois me fez sentir diferente de todos os demais e consequentemente me senti também desigual, exatamente como a sociedade trata os diferentes. Nem vou falar sobre a mesinha do lanche…

         Aproveitando que estou falando em avião imagino que algumas pessoas mais obesas que eu nem bebam água durante a viagem para não terem que usar aquele banheiro minúsculo, pois certamente correrão o grande risco de não conseguirem entrar. Seria cômico? Não acho, nem mesmo se não fosse trágico!


         E por falar em entrar… Já perceberam o tamanho das catracas dos ônibus? Pois é! Dizem os cobradores que são para pessoas normais; então somos anormais?! E os assentos? São pequenos até mesmo para os ditos normais, pois no Brasil as mulheres comumente tem quadris largos, e aí, como fica?! Mas  vou falar da minha experiência: depois que atingi um certo peso me neguei terminantemente a sair de transporte público; primeiro porque é um lixo e depois para evitar o constrangimento de ter que ficar descendo pela porta da frente e ainda de sentar-se sozinha, pois todos passam, olham e só se sentam do lado de um obeso(a) se realmente não tiver outro jeito, mesmo que fiquemos segurando nosso braço a viagem toda para não incomodar nosso vizinho (a), coisa que  sem generalizar, nem todo magro se importa ou tem o cuidado : de não incomodar.

 
   
Cenas do próximo “capítulo”:

  • Dirigir ficou quase impossível;
  • Roupas e indicações de lojas;
  • Limitações como não conseguir aboatoar sandália e se cansar no banho;
  • Preconceito para arrumar emprego? “Gordo tem menos capacidade”. Será?! Depende!!!;
  •  Seu rosto é tão lindo! E o resto?!;
  • Discussão de quem vai na frente no carro;
  • Senso de humor tem limite. Nem todo dia estamos dispostos a ficar fazendo gracinha de nossa maior ferida: a obesidade.

                                                       Um bom domingo a todos!!!.

4 comentários:

Leticia Rolim disse...

Pura realidade!
Sinto orgulho de ti mãe, meus parabéns, blog maravilhoso!

Anônimo disse...

muito bom,estou curioso para o proximo episodio posta ainda hoje puuuuur faavooorr

Mara disse...

Lele,
Meu orgulho é que é vc! Beijos.

Isy disse...

Agradeço a vc que se manifesta atraves deste blog para demonstrar como é difícil ser obeso e não só por uma questão de estética, que por sinal é o que mais importa em um país preconceituoso como o nosso, mas também pelos dramas pscológicos que vivemos.
Adorei seus textos, vc está de parabéns.