Eu em mim...
Eu não sei
para quem eu estou escrevendo nesse momento, talvez seja para mim mesma, na
intenção de validar todo o processo pelo qual venho passando.
Sabe, eu venho
de uma história de diagnóstico errado há 48 anos, e isso não se transforma do
dia para a noite. No entanto, sem me vitimizar ou terceirizar minhas formas
equivocadas de agir e reagir eu tenho me esforçado muito para reparar todos os danos que eu causei a mim mesma
e às pessoas que tanto amo, as quais
acabei, sem crítica alguma fazendo sofrer.
Quando uma
doença existe, mas não é manifestada ou notada por quem a tem, ela não é
tratada, assim como um tumor, que demora anos para crescer, e de repente
aparece e, logo estoura.
Tenho passado
algumas coisas na vida, umas devo esquecer, e outras comemorar.
Do ponto de
vista de quem me viu há algum tempo talvez ainda não dê para visualizar todo o
meu esforço para mudar, mas eu sei o quanto esse processo tem sido doloroso e
ao mesmo tempo tem servido para eu evoluir. Minha escolha pela mudança é
sagrada, e por isso precisa ser comemorada e não criticada. Eu não devo me
punir.
Eu não era jamais
capaz de pensar sobre as consequências do que os meus atos produziam. Aprendi
que preciso evoluir, e que o sofrimento, louvavelmente faz parte desse
crescimento.
Uma escolha se
torna sagrada pelo sacrifício, que eu tenho que valorizar como algo positivo.
Eu preciso
soltar todas as lágrimas, lavar mesmo a alma, e comemorar por cada etapa
vencida que hoje apenas eu, talvez, seja capaz de visualizar. Preciso valorizar
a minha vida e todos que tenho. Preciso entender que se Deus me deu uma outra
oportunidade de viver foi para fazer diferente.
Todo processo
é feito de etapas, mas hoje estabeleci metas a cumprir, e preciso me abraçar,
me amar e validar o que tenho conquistado. Não preciso mais fazer contas, sei
até onde posso ir, mas já fui longe e preciso ter paciência para as coisas
voltarem aos seus devidos lugares. Não falta tanto!...
A compulsividade
me levou a escolhas extremas, e o prejuízo disso ficou, mas eu preciso entender
que apenas eu poderei reparar o que fiz.
Não quero a
culpa nem a vitimização, quero apenas erguer minha cabeça um dia e dizer que
valeu a pena mudar.
Hoje consigo
enxergar o que é supérfluo, que não devemos nos vingar das pessoas gastando seu
dinheiro, que as coisas custam caro, que as pessoas lutam muito para
sobreviver, e que algumas apenas vivem, sem reclamar, às vezes com tão pouco.
O processo:
quando estamos na cegueira não acolhemos o conselho de ninguém. A cura tem que
vir de dentro para fora.
Sou
imensamente agradecida por todos que , de alguma forma, me ajudaram e me ajudam
nesta caminhada, neste processo, mas também agradeço a mim, pois em meio a esse
turbilhão de pensamentos, culpas e sensações de fracasso, continuo aqui
tentando dar o meu melhor, ainda que isso ainda não apareça para muitos.
Eu espero de
coração que as pessoas me ajudem valorizando o que conquistei, e venho
conquistando a cada instante, mas entendo que a imagem da mulher compulsiva,
descontrolada ou irresponsável demore um pouco para sair de alguns corações e
mentes. Talvez só no final do processo eu conquiste isso, mas está valendo!
Eu ainda tenho
muito a aprender, mas sou grata por hoje poder enxergar isso, pela lucidez que
o meu tratamento e os meus esforços tem me proporcionado viver e pelo apoio
incondicional de quem me ama e só quer ver o meu bem.
Só peço uma
coisa: que tanto eu quanto os outros respeitem o meu tempo e entendam que nem
tudo foi de caso pensado, planejado ou deliberado.
Eu me amo, eu
me esforço e eu sou digna de reconhecimento próprio, motivo de comemoração e
não de culpabilização.
Reerguer-se
depende de mim, mas processo é processo!... E aí sairei aos poucos reparando o
que fiz ou, de repente, deixei de fazer.
Maracy Rolim
Bezerra
SP 07 de
fevereiro de 2022
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