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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Apenas eu tentando evoluir.

 

Eu em mim...

Eu não sei para quem eu estou escrevendo nesse momento, talvez seja para mim mesma, na intenção de validar todo o processo pelo qual venho passando.

Sabe, eu venho de uma história de diagnóstico errado há 48 anos, e isso não se transforma do dia para a noite. No entanto, sem me vitimizar ou terceirizar minhas formas equivocadas de agir e reagir eu tenho me esforçado muito para reparar  todos os danos que eu causei a mim mesma e  às pessoas que tanto amo, as quais acabei, sem crítica alguma fazendo sofrer.

Quando uma doença existe, mas não é manifestada ou notada por quem a tem, ela não é tratada, assim como um tumor, que demora anos para crescer, e de repente aparece e, logo estoura.

Tenho passado algumas coisas na vida, umas devo esquecer, e outras comemorar.

Do ponto de vista de quem me viu há algum tempo talvez ainda não dê para visualizar todo o meu esforço para mudar, mas eu sei o quanto esse processo tem sido doloroso e ao mesmo tempo tem servido para eu evoluir. Minha escolha pela mudança é sagrada, e por isso precisa ser comemorada e não criticada. Eu não devo me punir.

Eu não era jamais capaz de pensar sobre as consequências do que os meus atos produziam. Aprendi que preciso evoluir, e que o sofrimento, louvavelmente faz parte desse crescimento.

Uma escolha se torna sagrada pelo sacrifício, que eu tenho que valorizar como algo positivo.

Eu preciso soltar todas as lágrimas, lavar mesmo a alma, e comemorar por cada etapa vencida que hoje apenas eu, talvez, seja capaz de visualizar. Preciso valorizar a minha vida e todos que tenho. Preciso entender que se Deus me deu uma outra oportunidade de viver foi para fazer diferente.

Todo processo é feito de etapas, mas hoje estabeleci metas a cumprir, e preciso me abraçar, me amar e validar o que tenho conquistado. Não preciso mais fazer contas, sei até onde posso ir, mas já fui longe e preciso ter paciência para as coisas voltarem aos seus devidos lugares. Não falta tanto!...

A compulsividade me levou a escolhas extremas, e o prejuízo disso ficou, mas eu preciso entender que apenas eu poderei reparar o que fiz.

Não quero a culpa nem a vitimização, quero apenas erguer minha cabeça um dia e dizer que valeu a pena mudar.

Hoje consigo enxergar o que é supérfluo, que não devemos nos vingar das pessoas gastando seu dinheiro, que as coisas custam caro, que as pessoas lutam muito para sobreviver, e que algumas apenas vivem, sem reclamar, às vezes com tão pouco.

O processo: quando estamos na cegueira não acolhemos o conselho de ninguém. A cura tem que vir de dentro para fora.

Sou imensamente agradecida por todos que , de alguma forma, me ajudaram e me ajudam nesta caminhada, neste processo, mas também agradeço a mim, pois em meio a esse turbilhão de pensamentos, culpas e sensações de fracasso, continuo aqui tentando dar o meu melhor, ainda que isso ainda não apareça para muitos.

Eu espero de coração que as pessoas me ajudem valorizando o que conquistei, e venho conquistando a cada instante, mas entendo que a imagem da mulher compulsiva, descontrolada ou irresponsável demore um pouco para sair de alguns corações e mentes. Talvez só no final do processo eu conquiste isso, mas está valendo!

Eu ainda tenho muito a aprender, mas sou grata por hoje poder enxergar isso, pela lucidez que o meu tratamento e os meus esforços tem me proporcionado viver e pelo apoio incondicional de quem me ama e só quer ver o meu bem.

Só peço uma coisa: que tanto eu quanto os outros respeitem o meu tempo e entendam que nem tudo foi de caso pensado, planejado ou deliberado.

Eu me amo, eu me esforço e eu sou digna de reconhecimento próprio, motivo de comemoração e não de culpabilização.

Reerguer-se depende de mim, mas processo é processo!... E aí sairei aos poucos reparando o que fiz ou, de repente, deixei de fazer.

 

 

Maracy Rolim Bezerra

SP 07 de fevereiro de 2022

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