Páginas

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Terapia é preciso.


***Antes de tudo, considero importante deixar aqui registrado que escrevo o que penso o que não quer dizer que me sinta dona da verdade.

Quero escrever hoje sobre o quanto a terapia tem me feito bem e como acredito ser responsável pela modificação de minha vida para melhor em todos os aspectos. 

Sugiro apenas o cuidado na escolha do profissional, pois tive algumas dificuldades com isto, hoje superadas. Talvez eu seja exigente ou crítica demais. Não é que eu queira um profissional que concorde comigo, muito pelo contrário, preciso de alguém que me oportunize refletir, que me questione se precisar! 

No começo eu pagava a sessão e arrumava um jeito de não comparecer, até que um dia admiti que estivesse errada e que a maior ou a única prejudicada com isto era eu.

O começo é dificílimo, pois mexe com questões até então "adormecidas", que pareciam estar resolvidas. Depois vamos nos conhecendo, e a cada dia mais querendo nos conhecer. Isso traz uma paz inexplicável, uma sensação maravilhosa  de estar tendo a oportunidade de viver completamente diferente do que se viveu. 

Saia da terapia e vinha refletindo o quanto eu precisava dessa oportunidade, e a quantidade de situações que eu teria evitado se há muito tempo fizesse acompanhamento psicológico. Passei a assumir meus erros, a não atribuir a culpa de tudo aos outros, porque nem sempre os outros são os monstros que pensamos ser. Enfim, conseguimos enxergar as coisas de outro angulo.

Descobri que sofri em alguns momentos por algo que não era motivo de tanto sofrimento. Eu potencializava demais determinadas situações e gastava demasiadamente minhas energias com aquilo.

Tem uma hora que a gente se sente meio chocada com o que vai descobrindo a respeito de si, mas é fantástico.

Não adianta pensar que o terapeuta vai dar respostas a todos os seus questionamentos, eles não tem esse poder e nem essa ousadia, porque na verdade a maioria das respostas que buscamos estão dentro de nós.

Eu sempre quis compartilhar esse meu pensamento que terapia deveria ser algo obrigatório. Pois é, obrigatório. Sabe por quê? Porque nos recusamos a algo que pode ser a melhor escolha e o melhor investimento de nossa vida.

Uns se acham muito espertos, outros se sentem donos da verdade. Alguns talvez inconscientemente tenham medo do que possam vir a descobrir sobre si.

Sei bem de uma coisa: quando eu era adolescente e as pessoas usavam a expressão "espilicute" para dizer que eu era extrovertida, e diziam que eu era precoce ou que parecia ter mais idade, eu acreditava. Sim, acreditava de verdade, e só fui descobrir quase agora aos 44 anos que não sabia absolutamente nada sobre a vida e as pessoas, muito menos sobre si.

Percebi com o tempo que uma das ações que praticamos, ainda que na melhor das intenções é sair por ai aconselhando os outros, dando-lhes receitas sobre como agir. Ah, para! Nem nós sabemos direito o que há de vir em nossas vidas. 

Eu não quero aqui "convencer" ninguém a fazer terapia, se bem que aos que amo se pudesse os obrigaria... Risos. É que tudo se torna tão mais leve, as coisas fluem melhor, a nossa mente se organiza melhor. 

Tem gente que tem muita dificuldade de falar de si, outros pensam que com seus "estudos" e leituras já conseguem substituir a terapia. Ledo engano... 
Eu era rígida, ríspida, inflexível. Achava que procurar fazer tudo certinho era o suficiente para levar uma vida tranquila. Eu também media forças com os outros. Teve um tempo que eu descobri que queria ser princesa. Tive a oportunidade de conhecer na terapia sobre a falsa modéstia e tantas outras coisas que poderiam definitivamente mudar minha vida e a dos que convivem comigo.

Claro que não me tornei uma pessoa perfeita com a terapia, longe disso. Mas agora tento me avaliar, volto atrás, peço mais desculpas e às vezes admito que seja super egoista. E banco o que sou porque cansei de ter que ser a menina boazinha e simpática que um dia me disseram que eu precisava ser.


Enquanto eu vivi tentando agradar os outros adoeci imensamente. Durante o tempo em que a opinião dos outros era mais importante que a minha, foi o período de maior sofrimento da minha vida. Eu vivia em função do outro, sempre estava preocupada se estava a incomodar alguém. Parecia que eu era o centro das atenções, e pior, não deveria errar.

A sociedade, cada vez mais hipócrita nos coloca um fardo muito pesado para carregar. Precisamos ser fortes, educados, dedicados, cuidadosos, esforçados e tudo mais. Mas e nossas dificuldades, quem nos ajudará a superar? Concordo que devamos procurar ser uma pessoa melhor, mas precisamos admitir que somos suscetíveis ao erro sim, e que não há nada de errado com isto.

Hoje me permito errar, digo que estou com preguiça, assumo quando sinto inveja ou sou preconceituosa...

Hoje sou mais madura, me preocupo com o que realmente é necessário.

Um dia mina filha mais velha me disse que eu não era feliz porque não valorizava as coisas simples da vida. Não parava para observar o que eu tinha conquistado... E ela tinha razão!

Um bom exercício para vivermos melhor também é desenvolvermos a empatia. Obviamente ninguém jamais conseguirá colocar-se perfeitamente no lugar do outro, pois apenas cada um sabe bem a sua dor. Mas tentar refletir sobre como nos sentiríamos caso nos fizessem aquilo que fizemos ao outro talvez fosse um bom início de caminho rumo a solidariedade, ao amor, a paz e a conquista de novos horizontes.

A resposta para muitas perguntas ainda não tenho, mas hoje sinto-me mais próxima de mim mesma, mais conhecedora de mim.

Bom, tenho um turbilhão de idéias para escrever, mas tem me faltado tempo. Aliás, o tempo tem passado tão depressa e de uma forma tão desengonçada que me pergunto se ainda dará tempo de ter tempo...

Beijos de luz.




Nenhum comentário: