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terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Quando nosso sonho nem é tão grande...

Hoje estive falando ao telefone com minha mãe, que disse que meu pai acabara de chegar e estava sendo recebido pelos dois netos que confessaram que o amam mais que a ela e me pus a relembrar da minha infancia, da casa onde cresci e de quando eu era ainda uma menina, depois uma adolescente...

Bons dias vivi ali na casa dos meus pais, que nunca foi uma mansão, mas que me abrigava de todas as tempestades da vida. Quanta proteção eu tinha ali, vivia sob as asas da minha mãe que sempre me protegeu e do meu pai que também me protegeu, embora do seu jeito exclusivo...

Quantas vezes nos sentávamos à calçada a esperar o "aracati". Quantos sonhos eu tive por ali...
Lembro-me que o maior sonho da minha vida era o de ter um telefone em casa, pois só havia no comércio do meu pai. E depois quantos telefones tivemos. Hoje fujo quando algum toca, pois nem sempre estou disposta a grandes divagações ao telefone... risos. Amo essa forma de comunicação para resolver coisas práticas e para encurtar a distancia dos que amo e estão tão longe de mim... Mas que engraçado, quando papai comprou o primeiro telefone da nossa casa, eu ficava com os dedinhos cruzados torcendo para que ele tocasse, e então saíamos correndo para ver quem ia atender. Era no tempo em que falávamos com a telefonista ainda... risos

Quantas saudades dos meus irmãos, meus lindos e pequenos irmãos, que deixei tão novinhos, quando me casei e vim embora para tão longe. Naquele tempo nossas maiores disputas eram pela atenção dos nossos pais, e minhas maiores preocupações eram com as roupas na costureira e com as notas que deveriam ser sempre altas. Quantas aulas particulares! Quantos cuidados da minha bisavó Sinhá, que não me deixava sequer fazer um café porque temia que eu me queimasse...

E aos 17 anos eu parti dali, e de menina virei mulher, e logo aos 18 anos me tornei mãe... Numa megalópole como São Paulo, onde não podia mais sentar na calçada, muito menos contar com a proteção dos meus pais.

E aí veio a realidade da vida. E a cada dia fui me deparando com situações completamente alheias ao meu mundo até então. Quantos desafios, quantas pessoas diferentes e que pensavam não mais que em seu próprio umbigo. Quantos jogos da vida para quem nunca havia ousado jogar na vida...

Hoje percebo quantos sonhos foram deixados para trás, e quantos outros aprendi a sonhar...

Encontrei tanta gente diferente, com sonhos também tão diferentes, a grande maioria, tão indiferente... Como sofri! Meu mundo desmoronou em meio a tantas "novidades"  da cidade grande. Quantas vezes chorei e ainda choro de saudades querendo o colo da minha mãe  e sussurrando como em gritos o seu nome!!!

Distante de mim mamãe também adoeceu, esteve muito mal, e eu me corroía com a idéia de perde-la, pois me perguntava o que faria da minha vida sem ela e sem os seus conselhos, ternos e sábios conselhos...

Vivi, sofri, me angustiei, me frustrei, mas também aprendi, amadureci, aprendi, pois fui obrigada pela vida, a jogar, sim, jogar com peças que eu nem sabia lidar... Foi cruel, pois eu era daquelas que acreditava em todos, achava que os outros não tinham capacidade de me fazer o que eu não lhes faria em hipótese alguma. Fui magoada e magoei, mas sempre estive disposta a pedir perdão, embora nem sempre estivesse tão errada... Mas aprendi a me por no lugar dos outros e que ninguém, ninguém mesmo é perfeito!!! Nem eu...

Aprendi a viver com escudos, mas com o tempo percebi que nem sempre eles são bons, pois por vezes afastam algumas pessoas especiais de nós.

Teve um tempo em que meu pai também adoeceu, e eu novamente chorei tanto com medo de perde-lo. Ele que perdeu seu pai aos 16 anos, mas que sempre foi um pai maravilhoso, muito embora eu só tenha despertado para isto após longos anos...

Tive meu irmão caçula por um pequeno espaço de tempo morando perto de mim, este trouxe alguém especial para minha vida, uma cunhada que amo e que me deu uma sobrinha que pude pela primeira vez curtir nos primeiros anos. Meu maior sonho era ser tia, e eu já era, mas nunca tive o direito de curtir meus pequenos, pois a distância nunca permitira.

Mas aqueles dias lindos foram tão poucos, eles também voltaram para o Ceará e quase me afundo na depressão mais uma vez pela falta que me fizeram e me fazem, mas o que me alenta é o fato de estarem bem, e o que me alegra é saber que não permitiram que minha sobrinha me esquecesse definitivamente, pois mesmo em fotos, ou telefonemas eu sempre tentei me fazer presente. A web cam também nos ajuda e nos faz chorar em sua frente de vez em quando.

Meu irmão mais velho, quanta falta sinto dele também...  não tive condições de ir à sua formatura.
Foi ele quem me presenteou me fazendo ser tia, com um menino lindo e muito inteligente. Mas estão todos tão distante fisicamente...

Ah como eu quisera que São Paulo se achegasse  mais ao Ceará ou vice-versa, que nossos caminhos se cruzassem muito mais ou que fiquemos definitivamente juntos, mas agora nem tudo depende mais de mim, pois constitui uma família, e com um marido paranaense e duas filhas paulistanas não é tão fácil assim de voltar para debaixo das asas dos meus... Sonho com o dia em que o dia das mães, dos pais e outras datas que costumam reunir a família não me sejam mais motivo de choro, com um dia em que o feriado prolongado me proporcione ao menos alguns poucos dias pertinho de quem tanto amo.

Não sei, não sei que jeito dar, mas eu acredito que assim como está não deverei terminar!!!

Como passeio em pensamento em cada comodo daquela casa onde cresci! Como sinto falta dos meus!!!

Mas por hoje acho bom terminar por aqui, pois sem forças poderei ficar para prosseguir!...

Um beijos a todos...
Fiquem com Deus.


Mara

Um comentário:

Anônimo disse...

Eita mulher que agora vc mim fez chora tanto. Muito obrigada pelo seu carinho para comigo,vc sabe do meu amor por vc.Agradeço a Deus sempre nos meus pensamentos por ter tido o prazer de conhecer uma pessoa feito vc Marinha pois além de uma cunhada maravilhosa é uma irmã querida pra mim meu ponto de apoio.Te amo